Madureira, 16h da tarde. Um calor de quase 40 graus, natural para quem mora no bairro que respira samba e futebol. Ainda mais na véspera de carnaval e com um confronto entre o time da casa e o Vasco no estádio Aniceto Moscoso, na rua Conselheiro Galvão. A vitória por 3 a 1 dos vascaínos em cima do Tricolor Suburbano, porém, esfriou a festa que a diretoria dos anfitriões preparou para iniciar as comemorações do centenário do Madureira Esporte Clube.
Na estreia do uniforme que leva o rosto de Che Guevara – a camisa faz sucesso na internet e na mídia até internacional, pois faz referência aos 50 das visita da delegação do Tricolor Suburbano à Cuba -, a animação foi interrompida momentos antes do show do intervalo. Quando Arlindinho, filho do cantor Arlindo Cruz, já esperava para cantar no “palco” – num tablado de concreto onde ficam os câmeras da partida -, o zagueiro Rafael Vaz acertou um chute rasteiro, no cantinho, abrindo o placar para o Vasco.
Curiosamente, momentos antes do gol, um gato preto – e branco – passava e levantava as sociais do campo do Madureira. O clima de festa contrastava com as provocações da torcida. Os torcedores do time da casa – ou que pelo menos nesta quinta torciam para o Madureira – chamaram o Vasco de timinho e gritaram Segunda Divisão. Como resposta, após o placar consolidado com a vitória do time de São Januário, tiveram que ouvir um canto que ficou famoso na época dos 100 anos do Flamengo.Edmilson, novo artilheiro do estadual, ao lado de Alecsandro com seis gols, comentou que estava acostumado a jogar em campo mais apertado, que não via tanta diferença. A mesma opinião não teve Rodrigo. O zagueiro chamou de “várzea” o estádio do Tricolor. Adilson Batista, muito cornetado pela torcida do Vasco, também levou na boa as brincadeiras que não cessaram nem no fim do jogo.
- Tudo bem, é do futebol, estou acostumado com essas coisas. Torcedor tem direito, tem suas preferências, mas eu tenho mais tempo de estrada e enxergo mais longe – provocou o treinador do Vasco.Apesar da pressão do resultado para o Vasco, quente também estava fora de campo. Ainda no intervalo, os alto falantes do antigo estádio convocavam “urgente” e insistentemente um motorista que estava com seu Kadett esquentando (“está quase pegando fogo”, avisava o locutor). O problema foi contornado. Mas outro menor estava por vir. Quando um funcionário do Madureira arremessou as novas camisas de goleiro, que reproduzem a bandeira de Cuba, a torcida nas sociais se alvoroçou toda.
Mas quem disputou a camisa? O goleiro e o zagueiro do Madureira. Os dois reservas pularam mais alto que os torcedores e Uirá, defensor do Tricolor, ficou com a nova camisa nas mãos. Era a última frustração dos moradores de Madureira. Ainda bem que o carnaval já chegou e o que não falta é escola de samba no bairro.
Fonte:globoesporte.com